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O que é MiFID II? A licença da UE para perpetuals e ações tokenizadas
Regulamentação

O que é MiFID II? A licença da UE para perpetuals e ações tokenizadas

A MiFID II é o regime clássico europeu para securities — e, como existem derivados cripto e ações tokenizadas, ela também se aplica a eles.

Quem a detém? A lista verificada está aqui — dez entidades, com números de registo.

1. Introdução

MiFID II (Markets in Financial Instruments Directive) é a legislação clássica europeia sobre securities, que existia muito antes das cripto. Com o surgimento dos derivados cripto e das ações tokenizadas, essa licença passou a ser obrigatória para exchanges que oferecem esses produtos na UE.

Neste site mostramos quais exchanges obtiveram a MiFID II — e porque isso faz uma grande diferença nos produtos que pode negociar.

2. O que é exatamente a MiFID II?

MiFID II é uma diretiva da UE que regula instrumentos financeiros. Está em vigor desde 2018 e foi originalmente pensada para securities e derivados tradicionais. Com o crescimento dos perpetuals cripto e das ações tokenizadas, esses produtos também passaram a se enquadrar na MiFID II.

Uma licença MiFID II é emitida pelo órgão regulador nacional de um Estado-membro da UE e funciona via passporting nos 27 países. Para crypto exchanges, a variante mais comum é a licença MiFID II cipriota, emitida pela CySEC. Outras jurisdições incluem Malta (MFSA), Alemanha (BaFin) e Eslovénia (ATVP).

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3. Quais exchanges têm MiFID II?

Menos de cinco grandes crypto exchanges na UE têm licença MiFID II. Ela é mais cara e demorada de obter do que a MiCA, com exigências de capital que vão de € 125.000 a € 730.000, dependendo do escopo.

Veja o panorama atual: Quais exchanges têm MiFID II?

4. Porque é que os perpetuals precisam de MiFID II?

Perpetual futures são, tecnicamente, derivados financeiros: derivam de um ativo subjacente (por exemplo, Bitcoin) e envolvem alavancagem. Isso os torna derivados no sentido da MiFID II.

Exchanges que oferecem perpetuals na UE sem MiFID II correm o risco de:

  • Multas dos reguladores nacionais
  • Suspensão forçada dos serviços
  • Dano à reputação

Algumas exchanges resolveram isso com um workaround técnico: reclassificam seus perpetuals como expiry futures com prazo de, por exemplo, cinco anos. Veja Perpetuals vs expiry futures para os detalhes.

5. Porque é que as ações tokenizadas precisam de MiFID II?

Ações tokenizadas são representações digitais de ações reais. Sob a lei da UE, elas se qualificam como transferable securities e, portanto, se enquadram na MiFID II.

Existem duas variantes:

  1. Ações reais na blockchain — o token é um direito sobre uma ação real, geralmente mantido sob o UCC Article 8 de Nova York ou via uma SPV. Mais em Ações reais vs wrapper tokens.
  2. Wrapper tokens — o token é um direito contratual sobre um emissor (geralmente em Jersey ou outras jurisdições offshore).

As duas variantes precisam de MiFID II para serem oferecidas a utilizadores da UE.

6. MiFID II vs MiCA

O maior mal-entendido no Twitter cripto é achar que a MiCA cobre "todo o universo cripto". Não cobre.

ProdutoLicença
Comprar Bitcoin ou Ethereum spotMiCA
Bitcoin perpetual futureMiFID II
Ethereum perpetual futureMiFID II
Ação tokenizada da TeslaMiFID II
Converter USDC para EUR (SEPA)PSD2

7. Onde as exchanges sérias têm sua MiFID II?

Várias jurisdições são populares para MiFID II no universo cripto:

  • Chipre (CySEC) — a mais comum para derivados cripto
  • Malta (MFSA) — combinação com a MiCA possível numa só jurisdição
  • Eslovénia (ATVP) — players menores e estruturas tipo broker
  • Alemanha (BaFin) — grandes instituições financeiras

8. O que a MiFID II significa para si como trader?

  1. Proteção do investidor — testes de adequação, proteção contra saldo negativo, fundos de compensação ao investidor.
  2. Limites de alavancagem — tetos mais rígidos para clientes de varejo (normalmente 10x para derivados cripto).
  3. Regras de marketing — anúncios de produtos alavancados precisam de trazer avisos.
  4. Transparência — best execution, relatórios de roteamento de ordens, transparência de fees.
  5. Reclamações — acesso a um fundo nacional de compensação ao investidor.
ExchangeFacts Verdict

A MiFID II é a licença clássica europeia para instrumentos financeiros — e, ao contrário do mito, a MiCA não a substitui. Perpetuals e ações tokenizadas exigem MiFID II, e menos de cinco exchanges na UE a possuem. É a diferença entre negociar derivados com ou sem proteção do investidor.

A MiCA não cobre perpetualsMenos de 5 exchanges na UE a têmObrigatória para ações tokenizadasProteção do investidor e limites de alavancagem

Perguntas frequentes

Ainda posso negociar perpetuals offshore?

Tecnicamente sim, via reverse solicitation — mas sem a proteção da MiFID II.

Qual é a diferença entre MiFID II e MiFID I?

A MiFID II é a atualização de 2018 que reforçou a transparência, a best execution e a proteção do investidor.

Os fundos dos clientes são segregados?

Sim — empresas com licença MiFID II precisam de manter os fundos dos clientes segregados junto a um custodiante.

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